Na biblioteca
*Isabel Mist
Lina pesquisou todos os livros sobre as origens da Cidade Colorida, procurou fatos históricos e as lendas do lugar, e anotou tudo o que mais chamava sua atenção. Era como se Dédalo soubesse o que ela encontraria nos livros, como se soubesse que haveria neles o que chamaria a atenção dela – que estava cada vez mais curiosa sobre “falhas” que ia encontrando nos textos. Anotou todas para estudá-las mais detalhadamente.
Quando se aproximava o horário do fechamento da biblioteca, Lina resolveu procurar um lugar para se esconder. Deixou seu material de consulta espalhado na mesa e dirigiu-se ao banheiro, pois sabia que o corredor de acesso não era filmado. Aliás, conforme Dédalo lhe dissera, as únicas partes da biblioteca filmadas eram recepção e a parte que ela deveria procurar…
As luzes foram apagadas e a porta da frente fechada. “Ninguém notou que ainda estou no prédio”, pensou. Com uma lanterna, iluminou o caminho para a parte da biblioteca à qual somente funcionários tinham acesso. Virou para a direita e seguiu reto até uma porta que, como previra Dédalo, estava destrancada. Entrou em uma sala vazia, e reparou no piso, que era preto e branco, e lembrou-lhe um tabuleiro de xadrez, talvez porque sentia falta de quando passava mais tempo com seu tio, jogando xadrez à tarde… Procurou por outra porta, que estava a sua direita, bem na diagonal da primeira. Esta porta também estava destrancada e se abria para um corredor e, no fim dele, viu a sala que estivera procurando.
Apressou-se para entrar logo naquela sessão da biblioteca. Não se preocupou em como abrir a porta, porque, como Dédalo lhe dissera, estava aberta.
Ela não percebeu que estava sendo seguida. E que todas as portas por onde passou foram fechadas.
*Isabel Mist, sonhando
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