Entre Cidade Colorida e Cidade Cinza (parte final)
Isabel Mist*
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Dragão começou a falar, com uma expressão ameaçadora e contrariada; era como ver um reflexo falando com quem se olha em um espelho. “É sua última chance de aderir voluntariamente. Já estou com suas feições e sua personalidade, só me falta absorver seus pensamentos. Em uma semana você será um zumbi. Pense bem, use suas habilidades para me ajudar, você será bem recompensado.”
O professor se manteve em silêncio, de cabeça baixa, o que fez com que Dragão o golpeasse, deixando-o desmaiado, enquanto desaparecia: primeiro as pernas, depois o tronco, depois os braços e, por último, a cabeça. Heloísa estava aterrorizada, mas manteve o controle; certificou-se de que estava sozinha com o professor na sala, saiu debaixo da escada onde se escondera e, lentamente, aproximou-se dele, que já estava acordando. Ainda tonto, surpreendeu-se ao ver uma de suas alunas. “O que está fazendo aqui? Você não deveria…” Heloísa o interrompeu e decidiu contar que o seguira, que sabia que ele estava sendo ameaçado há várias semanas e que queria ajudar.
Laerte, ainda atordoado, ficou um momento sem reação. Não conseguia acreditar que seu comportamento o denunciara a uma de suas alunas, e sabe-se lá a mais quantas pessoas. Isso era grave, e não podia permitir que mais inocentes fossem capturados por Dragão.
“Como isso aconteceu? Você deve voltar para sua casa agora, está correndo um risco muito grande. Vou chamar seus pais e nunca fale sobre o que viu para ninguém, ou mais pessoas serão comprometidas. Todos que se envolverem comigo, de qualquer forma, estarão ameaçados!”
Percebendo que não adiantaria argumentar, e pensando que fora um erro apresentar-se ao professor, Heloísa pediu:
“Então não chame meus pais. Isso vai chamar a atenção de mais pessoas. Chame minha prima Lina. Ela não fará muitas perguntas e me levará para casa.”
O professor concordou achou que o melhor a fazer era concordar com Heloísa, temporariamente, até pensar em uma forma de protegê-la.
Lina chegou em meia hora e levou Heloísa para casa. As primas não conversaram no caminho, era óbvio que algo sério acontecera, e ambas sabiam do que se tratava.
*Isabel Mist, sonhando
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