16:33 - quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cidade Colorida parte 4

Isabel Mist*

Entre a Cidade Colorida e a Cidade Cinza (continuação)

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Lisandro saiu da aula. Precisava agir rápido para conseguir entrar no laboratório sem ser visto. Naquele horário, um funcionário estava trabalhando, e a porta estava destrancada. Abriu a porta e escondeu-se atrás de um armário. Justamente o armário no qual o funcionário veio buscar algum material, justamente o armário que deixava seus pés à vista, detalhe ao qual ele não atentara. Estava imóvel e em silêncio. Mas o funcionário o viu…

Dédalo era o funcionário; ele viu quando Lisandro entrou na sala e se escondeu atrás do armário; mas decidiu deixar que o menino agisse – não se apresentaria por enquanto. Terminou seu turno e se retirou, trancando a sala.

Lisandro, mais aliviado, mudou-se para seu novo esconderijo: entrou em um armário maior e vazio que estava mais ao fundo da sala, onde mais provavelmente se reuniriam. Os três meninos, mais velhos do que Lisandro, não tiveram problemas para entrar no laboratório, já que, anteriormente, providenciaram uma cópia da chave. A pauta era:

1. cidades conquistadas;

2. cidades por conquistar;

3. como conseguir mais colaboradores.

Marcelo iniciou atualizando Bruno e Plínio: Dragão estava escondido na Cidade Colorida, onde já conseguira muitos adeptos e definira a forma que assumiria por ali – em cada localidade escolhia uma forma fixa, geralmente a da pessoa mais importante para seus planos no lugar. (Normalmente “o escolhido” era assediado e, não concordando em colaborar, era ameaçado; então se isolava para não prejudicar seus amigos – que somente eram atingidos quando este não se afastava. O “escolhido” perdia sua vida aos poucos para a criatura que o “absorvia”: primeiro suas feições, depois sua personalidade, por último seus pensamentos. Lisandro soube que seu professor de literatura estava em perigo, sem que isso fosse mencionado.) Todos os “escolhidos” ainda estavam vivos. Os nomes das cidades visadas não eram falados, apenas apontados nos mapas, que Lisandro não conseguia ver.

Bruno, Marcelo e Plínio eram colaboradores encarregados de levar a Dragão mais adeptos moradores da Cidade Cinza – observavam o “candidato” por algumas semanas antes de se reunirem para discutir se indicariam seu nome. O nome da vez: Lisandro.

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Heloísa seguiu seu professor após o fim da aula. Antes de entrar em casa, o professor olhou em volta para certificar-se de que não estava sendo seguido, e deu uma volta em torno da casa. Heloísa foi rápida: entrou pela janela e se escondeu debaixo da escada da sala. Quando o professor abriu a porta, Heloísa quase gritou de susto. Um “sósia” perfeito apareceu em sua frente. Era Dragão.

*Isabel Mist, sonhando…

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