16:41 - quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cidade Colorida parte 2

Lendas… ou a origem da suspeita

Isabel Mist*

Heloísa e Lisandro eram vizinhos na Cidade Colorida. Liam muito, e foi assim que tomaram conhecimento sobre Dragão, um personagem recorrente nas lendas do lugar. Além disso, seus avós, pais, professores, tios e primos mais velhos sempre contavam sobre um ser que assumia a forma das pessoas que observava, com o objetivo final de conquistar a confiança de muitas pessoas, para obter o melhor delas, explorando suas franquezas e medos.

Apesar de muito repetida, não se ouvia muitos detalhes sobre a história. Isso os deixou curiosos, e começaram a fazer perguntas a todos os que se dispunham a falar. Notaram algo estranho: quando conversavam com as pessoas, era como se soubessem algo mais, mas não conseguissem se lembrar. Sentiam urgência nelas – que agiam como se fosse muito importante falar tudo o que lembravam. Mas quando parecia que os “entrevistados” tinham encontrado os pormenores no fundo de suas memórias, um medo intenso os bloqueava. Tanto que as crianças podiam sentir o medo nas pessoas, por um breve momento.

“Por que não nos conta? Do que está com tanto medo?”

“Não imaginem coisas, não há o que temer. Só não consigo lembrar nada significante. E talvez seja porque não há nada a ser lembrado.”

Sempre assim. Achavam que isso era um indício de algo a ser explorado mais atentamente. Obviamente não conseguiam ajuda dos adultos que, muito sérios e concentrados em suas importantíssimas tarefas, não tinham tempo para pensar em fantasias infantis. Então, foram consultar os documentos da biblioteca da cidade, procurando evidências históricas ligadas às narrativas orais. Essa biblioteca abrigava obras que cobriam toda a história das cidades da região, e havia trabalhos muito antigos de pesquisadores, com a reprodução de relatos dos moradores sobre as lendas das redondezas. Consultaram todos os livros disponíveis, mas nada havia de diferente do que já sabiam.

(Um detalhe que as crianças desconheciam: versões atualizadas desses trabalhos eram disponibilizadas ao público – foram essas as fontes consultadas por Heloísa e Lisandro – mas os originais eram guardados em uma seção especial da biblioteca, à qual somente funcionários autorizados tinham acesso.)

Ficaram frustrados, e continuaram insatisfeitos com as respostas das pessoas e dos livros. Afinal, era medo que viam nas pessoas, por mais negativas que ouvissem. E Dragão trabalhava com “fraquezas e medos”. Por isso, as pesquisas continuaram; mesmo após a mudança de Lisandro e seus pais para a Cidade Cinza.

* Isabel Mist

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1 Comentário para “Cidade Colorida parte 2”

  1. Kel
    11/05/2010 at 17:29 #

    Nossa!!! Por que será que ninguem queria contar as coisas mais importantes sobre o dragão???
    Ai que suspense….quero saber mais!

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